quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Histórias de Garanhuns do meu tempo...


O Rapto das Cebolas.
Estávamos reunidos para mais uma noite de grandes aventuras, depois de correr na tradicional bacondê, um dia eu explico que jogo é este, sei que era cansativo, havia uma velha fabrica de bolsa, na rua do cajueiro era mais ou menos 21h30min de um dia da semana qualquer (não havia preocupação dos dias). E tínhamos um colega que com suas idéias nos colocavam em apuros, já era certo, mais de alguma forma ele sempre conseguia nos convencer o contrário. Depois de certa hora, paramos na frente dessa fábrica olhando um para o outro esperando um grande plano do nosso líder. Era mais uma noite fria como costumava ser em nossa Garanhuns, e o clima por vezes nos fazia para um pouco. Quando de longe ouvia um gemer de caminhão Ford, antigo velho, de uma cor indefinidamente corroída, o pesado vinha subindo a Rua do Cajueiro, como quem levava todo o peso do mundo nas costas, sem perdão e apanhando, coberto por uma breve lona, e dando a impressão que iria tombar para trás, percebemos que era algo de comer, pois era uma sexta feira e no dia seguinte sábado tínhamos a nossa tão famosa feira, a qual eu costumava ir para ouvir os cantadores... Aonde será que eles andam? E o nosso “líder”, não pestanejou e soltou mais um dos seus planos aprova de falhas. “Eita que é maçã!”, e logo levou a resposta: “Maçã? Aqui em Garanhuns? Impossível.” O mesmo líder retrucou: “Num Tô dizeno. É maçã e vai para a feira, e vou pegar uma para mim.” Dada à ordem todos se preparam para a passagem do truck, e subir no pára-choque traseiro e passar as mão nas “maçãs”, quando o caminhão chegou devagar gemendo tomando,quase pedindo socorro, não tivemos pena corremos e subimos em sua traseira e extrema facilidade, passamos as mãos onde percebemos que as tais maçãs estavam bem longe daquele caminhão. Todos nós corremos para o ponto de encontro com o produto do “roubo” os troféus dos corajosos, dos valentes e audazes, quando olhamos um para cara do outro percebemos o que havia feito, nossa tão sonhada maçã, era na verdade cebolas havia tantas cebolas em nossas mãos que levei um tanto de tempo para entregar ao nosso líder. “““ “““ Todos estamos rindo muito, quando percebemos um grande vulto negro e de um cheiro horrível trazido pela brisa fria da noite, e nos cercou dizendo:” seus moleques ladrões de cebolas se pegaram as cebolas vão comer” pensei em fugir afinal minha casa ficavam uns 300 metros, e depois na velocidade e com medo ninguém me pega. Mais os quatro vultos que se aproximavam e nos cercaram mi fizeram mudar de idéia, e fiquei aguardando o resultado com meus companheiros. O nosso líder quando viu que não havia saída, olhou firmemente para os olhos do primeiro vulto, que naquela rua de pouca luz só dava para ver os brancos dos olhos e um mau cheiro que fazia da cebola perfume de mulher, e deu uma bela e grande mordida, sem pestanejar, como se fosse realmente uma maçã. E olhando para a sua turma e seu olhar nos serviu de inspiração, todos tentamos seguir seu exemplo, o que não foi igual para todos, minha mordida foi tímida, mais cheia de boa vontade e intenção, a de um colega foi seguida de vômitos e contrações, e de outro seguido de choro soluções, acho que até ouvi alguém chamar a mãe.  Durante a terceira mordida, ouvi o motorista chamar os ajudantes do caminhão que dedicadamente haviam trabalhado como segurança da carga, e alertando a eles quanto à demora de entregar a carga... Bendito seja o tal motorista, mais uma mordida eu estava morto, um dos vultos falou: ”para aprender a não pegar o que não é seu”, lição que estou levando para toda a minha.
Bom, assim que o caminhão conseguiu sair, corremos feitos uns malucos para uma esquina bem distante, e que havia uma bela de uma torneira. Lavamos a boca as mãos mascaram chicletes em meios de gargalhadas e lágrimas, dormir com o rosto debaixo da coberta, foi horrível, escovei os dentes cinco vezes ao dia, tomei café forte, e depois de uma semana, ainda havia resquício de cebola em mim em todos, e no sentimento de uma certeza que o que dos outros não se deve pegar.

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